“Capital humano de menor valor”: CEO corta funcionários, tem fala polêmica e se desculpa
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O CEO do Standard Chartered, Bill Winters, pediu desculpas após receber críticas por se referir a parte dos funcionários afetados por cortes ligados à inteligência artificial (IA) como “capital humano de menor valor”.Continua após a publicidadeA reação ocorreu depois de comentários feitos nesta semana, quando o banco com sede em Londres anunciou planos para eliminar cerca de 7.800 cargos de back-office, principalmente em resposta ao avanço da IA. A instituição foi uma das primeiras grandes instituições financeiras globais a detalhar medidas desse tipo.“Não é corte de custos”, afirmou Winters. “É substituir, em alguns casos, capital humano de menor valor pelo capital financeiro e de investimento que estamos aplicando.”
Standard Chartered é um banco multinacional britânico com sede em Londres – Imagem: Rocis / ShutterstockPrimeira tentativa de esclarecimentoNa sexta-feira, Winters publicou um pedido de desculpas no LinkedIn após receber comentários negativos por uma publicação anterior em que buscava contextualizar a declaração.“Eu disse que funções de menor valor são mais vulneráveis à automação, e que temos a responsabilidade de ajudar colegas a migrarem para funções de maior valor”, escreveu. “É isso que um empregador responsável deve fazer.”O executivo também afirmou que o banco continuará falando “honestamente” sobre o impacto das mudanças tecnológicas e ajudando os funcionários a se adaptarem às transformações do setor.Críticas continuaram após nova publicaçãoDepois de receber novas reações negativas, Winters voltou ao LinkedIn para comentar novamente o episódio.“Recebi muito apoio pelas mensagens do meu post anterior, mas ainda recebo questionamentos sobre minha escolha de palavras, que sei que causou desconforto a alguns colegas”, afirmou. “Por isso, peço desculpas.”Na sequência, o CEO compartilhou a transcrição completa do comentário feito durante o anúncio dos cortes e disse esperar que isso ajudasse a oferecer “melhor entendimento” sobre sua posição. Segundo Winters, o objetivo é ajudar funcionários a lidar com o ritmo acelerado de mudanças no setor financeiro.
Mesmo assim, parte das respostas continuou crítica. Um dos comentários dizia haver dificuldade em identificar diferença entre a fala original e a justificativa apresentada. Outro classificou as declarações como “repugnantes”.Banco pretende cortar 15% dos cargos de back-officeO Standard Chartered pretende reduzir 15% dos seus mais de 52 mil cargos de back-office até 2030. Atualmente, o banco possui quase 82 mil funcionários em todo o mundo.Os cargos mais afetados devem estar em centros de back-office localizados em Chennai, Bengaluru, Kuala Lumpur e Varsóvia.Os cortes foram anunciados junto de metas mais elevadas de retorno aos acionistas em uma atualização estratégica do banco, que está na fase final de um processo de transformação iniciado há cerca de uma década.
Ana Luiza Figueiredo
Ana Figueiredo é repórter de tecnologia do Olhar Digital. É formada em jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).
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