Califórnia quer frear impacto da IA no mercado de trabalho
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O governador da Califórnia, Gavin Newsom, assinou nesta quinta-feira (21) uma ordem executiva para estudar mudanças nas políticas trabalhistas diante do avanço da inteligência artificial (IA). A medida busca preparar o estado para possíveis impactos da tecnologia no mercado de trabalho, especialmente em funções administrativas e de escritório.Continua após a publicidadeSegundo o The New York Times, agências estaduais deverão trabalhar em conjunto com universidades, sindicatos e empresas de IA para analisar formas de incentivar companhias a manter funcionários, em vez de substituí-los por sistemas automatizados. O governo também pretende ampliar programas de qualificação profissional voltados a áreas que podem ser afetadas pela tecnologia.A iniciativa surge em meio ao aumento das discussões sobre o efeito da IA no emprego. Empresas de tecnologia têm promovido cortes de pessoal enquanto ampliam investimentos em automação e ferramentas baseadas em inteligência artificial.Ordem cita treinamento profissional e renda baseada em ativosA ordem executiva assinada por Newsom prevê a expansão de programas de treinamento profissional, com foco em trabalhadores de áreas como atendimento ao cliente, desenvolvimento de software, marketing e vendas.O governo da Califórnia também determinou estudos sobre um modelo chamado “capital básico universal”. A proposta analisaria formas de dar aos moradores participação em ativos financeiros, como ações corporativas, títulos e fundos patrimoniais.Em comunicado, Newsom afirmou que a Califórnia não deve “assistir passivamente” às mudanças provocadas pela IA. O governador disse ainda que o momento exige repensar “como as pessoas trabalham, governam e se preparam para o futuro”.O NYT afirma que seguros-desemprego e mecanismos tradicionais de proteção podem não ser suficientes diante das transformações provocadas pela tecnologia.Empresas de tecnologia ampliam debate sobre empregosA discussão ganhou força após novas demissões no setor de tecnologia. A Meta reduziu seu quadro de funcionários em 10%, cerca de 8 mil pessoas, mencionando uma mudança estratégica voltada à IA.
Outras empresas como Intel, Cisco e Amazon também são mencionadas como parte da onda de cortes associada a ganhos de eficiência com inteligência artificial.O cofundador da Anthropic, Dario Amodei, afirmou que aproximadamente metade dos empregos de colarinho branco pode desaparecer nos próximos cinco anos. Embora outras lideranças do setor discordem da previsão, o NYT afirma que há consenso de que áreas como comunicação, direito e engenharia devem passar por substituições causadas pela tecnologia.Debate sobre regulação avança nos Estados UnidosA ordem assinada por Newsom ocorre enquanto o governo federal dos Estados Unidos discute possíveis regras para modelos de IA.Na quinta-feira, o presidente Donald Trump cancelou a assinatura de uma ordem executiva que permitiria ao governo avaliar modelos de inteligência artificial antes do lançamento público.Continua após a publicidadeSegundo o NYT, a proposta daria ao governo federal poderes para analisar vulnerabilidades de segurança em novos sistemas de IA e desenvolver mecanismos de proteção contra possíveis ataques cibernéticos.Trump afirmou que adiou a assinatura porque não gostou de “certos aspectos” da proposta e disse não querer prejudicar a liderança dos Estados Unidos na corrida tecnológica contra a China.O documento também previa que empresas como OpenAI, Google, Meta, Microsoft e Anthropic compartilhassem voluntariamente seus modelos com o governo antes do lançamento público.
Ana Luiza Figueiredo
Ana Figueiredo é repórter de tecnologia do Olhar Digital. É formada em jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).
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