Trump e Xi buscam acordos comerciais, mas China alerta sobre ‘conflito’ por Taiwan
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Os presidentes dos Estados Unidos e da China tiveram reunião na quarta-feira (13), em Pequim, para discutir pautas de cooperação econômica e estabilidade geopolítica. A conversa, que durou pouco mais de duas horas, foi classificada pela Casa Branca como “boa”.Continua após a publicidadeApesar do tom cordial adotado por Donald Trump, que chamou Xi Jinping de “amigo”, a delegação do líder chinês emitiu alertas severos sobre o risco de confronto militar. O ponto central de divergência foi a questão de Taiwan. O tema, omitido pelo comunicado oficial norte-americano, foi descrito por Pequim como a linha vermelha mais importante da relação bilateral.Taiwan gera tensão diplomática e alertas de conflito entre EUA e China“A questão de Taiwan é o tema mais importante nas relações China-EUA. Se for tratada adequadamente, a relação bilateral será estável, no geral. Caso contrário, os dois países terão confrontos e até conflitos”, afirmou Guo Jiakun, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês. Segundo o governo da China, Xi Jinping alertou Trump que a busca pela independência da ilha é “inconciliável” com a paz na região.Durante a reunião, o líder chinês questionou se as duas nações conseguirão superar a chamada “armadilha de Tucídides”. Esse conceito descreve o risco de guerra quando uma potência emergente desafia uma potência dominante.
Xi Jinping alertou Trump que a busca pela independência de Taiwan é “inconciliável” com a paz na região – Imagem: Kaliva/ShutterstockXi indagou se seria possível criar um modelo de relação para oferecer mais estabilidade ao mundo num momento de incerteza global. Em contrapartida, a Casa Branca optou pelo silêncio e não mencionou Taiwan em seu comunicado oficial sobre o encontro. O fato é considerado notório por analistas. Isso porque Washington e Pequim travam uma disputa diplomática silenciosa sobre a ilha, que possui governo próprio, mas é reivindicada pela China como parte de seu território.Atualmente, a tensão é alimentada pelo fornecimento de armas norte-americanas aos taiwaneses, o que Pequim classifica como interferência.
Como resposta, o governo chinês tem ampliado sua presença militar no entorno da ilha, o que gera críticas recorrentes dos Estados Unidos sobre a segurança no estreito.Outro ladoO governo de Taiwan reagiu ao encontro dizendo que não houve surpresas nos resultados da cúpula, mas exigiu que a China encerre a pressão militar contra o território. Para Taipé, a verdadeira ameaça à paz é o assédio constante de aeronaves e navios de guerra chineses. E não o desejo da população local de manter seu estilo de vida. “Se a manutenção da paz e da estabilidade no Estreito de Taiwan é verdadeiramente o maior terreno comum entre a China e os Estados Unidos, então o Partido Comunista Chinês deveria restringir seu próprio comportamento de intimidação militar”, afirmou Liang Wen-chieh, porta-voz do Conselho de Assuntos do Continente de Taiwan, segundo a Reuters.O governo da ilha reiterou que busca apenas manter o status quo (a existência da República da China). E que as acusações chinesas de separatismo são fundamentadas em percepções distorcidas de suas ações defensivas e diplomáticas.Continua após a publicidadePara além dos atritos em Taiwan, Trump e Xi discutiram formas de reduzir a entrada de matéria-prima para o fentanil nos Estados Unidos. Os dois líderes concordaram em ampliar a cooperação para frear o fluxo dos precursores químicos utilizados na produção da droga sintética, um dos principais problemas de saúde pública no território americano.No campo da segurança internacional, as potências firmaram o consenso de que o Irã não pode possuir armas nucleares.
“Vamos ter um futuro fantástico juntos”, disse Donald Trump a Xi Jinping durante conversa em Pequim – Imagem: miss.cabul/ShutterstockAlém disso, reforçaram que o Estreito de Ormuz, canal vital para o comércio global fechado pelo regime iraniano desde fevereiro, precisa ser reaberto e continuar livre para a navegação.Continua após a publicidadeO tom de Trump durante a visita foi marcado por elogios diretos ao presidente chinês, a quem descreveu como “grande líder”. “Vamos ter um futuro fantástico juntos. Tenho muito respeito pela China e pelo trabalho que você fez”, declarou Trump, se referindo ao líder asiático.Xi Jinping defendeu que os interesses comuns dos dois países superam as diferenças existentes. Para o líder chinês, a relação entre as potências será decisiva para o futuro global, reiterando que China e EUA devem atuar como parceiros, e não como rivais.(Essa matéria também usou informações do G1 – aqui e aqui.)
Pedro Spadoni
Pedro Spadoni é jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba. Já escreveu para sites, revistas e jornal.
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