Motoristas da Uber podem formar rede de sensores para empresas de veículos autônomos
Na última quinta-feira (30), durante o TechCrunch StrictlyVC San Francisco 2026, um encontro exclusivo de networking e debates sobre startups realizado em San Francisco, Califórnia, o diretor de tecnologia da Uber, Praveen Neppalli Naga, detalhou um plano da empresa para ampliar sua atuação no setor de mobilidade.Continua após a publicidadeA proposta é, no futuro, equipar carros de motoristas parceiros com sensores capazes de coletar dados do ambiente urbano. Essas informações poderiam ser usadas por empresas que desenvolvem veículos autônomos e também por companhias que treinam sistemas de inteligência artificial voltados ao mundo físico.Em resumo:
Uber planeja usar motoristas como rede de coleta de dados;
Carros teriam sensores para registrar ambiente urbano em tempo real;
Dados ajudariam veículos autônomos e sistemas de inteligência artificial;
Estratégia busca escala global e parcerias no setor automotivo.
Praveen Neppalli Naga, diretor de tecnologia da Uber, foi um dos participantes do TechCrunch StrictlyVC San Francisco 2026 – Crédito: TechCrunch StrictlyVC San Francisco 2026Uber pode ampliar expressivamente volume de dadosSegundo Naga, a iniciativa é uma evolução de um projeto recente da empresa, chamado AV Labs. Lançado no início do ano, o programa ainda está em fase inicial e utiliza uma frota própria de veículos com sensores, separada da rede de motoristas parceiros.O executivo afirmou que, antes de expandir a ideia, a empresa precisa entender melhor o funcionamento dos sensores e lidar com questões regulatórias. Isso inclui garantir regras claras em diferentes regiões sobre a coleta e o compartilhamento de dados.Mesmo assim, o potencial de crescimento é amplo. A Uber possui milhões de motoristas em todo o mundo. Se parte dessa frota passar a operar como uma rede de coleta de dados, a empresa poderá ampliar significativamente o volume de informações disponíveis ao setor.Sensores em carros da Uber podem gerar dados para veículos autônomos e treinar sistemas de inteligência artificial voltados ao mundo físico – Crédito: MOZCO Mateusz Szymanski / iStockPhotosDe acordo com Naga, o principal desafio no desenvolvimento de veículos autônomos hoje não é mais a tecnologia, mas o acesso a dados. Esses sistemas precisam ser treinados com situações variadas do trânsito, como cruzamentos, horários de pico e áreas com grande circulação de pedestres.
Atualmente, muitas empresas enfrentam dificuldades para coletar essas informações por conta dos custos elevados de operação. Nesse contexto, a Uber avalia que pode contribuir oferecendo dados em escala, aproveitando sua presença global.Leia mais:“Nuvem de veículos autônomos” organiza dados para treinamento de sistemasA empresa já mantém parcerias com cerca de 25 companhias do setor. Com essas colaborações, está sendo construída uma “nuvem de veículos autônomos”, que reúne dados organizados para uso no treinamento de sistemas.Os parceiros também podem testar seus modelos em “modo sombra”. Nesse formato, os sistemas simulam decisões durante corridas reais da Uber, sem interferir na condução, o que permite avaliar o desempenho com mais segurança.Continua após a publicidadeA estratégia marca uma mudança em relação ao passado da empresa, que abandonou projetos próprios de carros autônomos. Ao focar na oferta de dados, a Uber busca manter relevância em um mercado em evolução e ampliar sua atuação junto a empresas do setor.