Qual a luz mais antiga do universo que já detectamos?
A luz mais antiga que conseguimos observar no universo provém do fundo cósmico de micro-ondas, emitida quando o cosmos tinha apenas 300 mil anos de existência, há aproximadamente 13,8 bilhões de anos. Esta radiação representa o primeiro momento em que o universo se tornou transparente, permitindo que os fótons escapassem livremente pelo espaço.Continua após a publicidadeMatthew Middleton, astrônomo da Universidade de Southampton (Inglaterra), explica à BBC que, durante os primeiros 300 mil anos após o Big Bang, o universo era um plasma extremamente quente, no qual os fótons não conseguiam viajar livremente, pois colidiam constantemente com partículas carregadas. Quando o cosmos se expandiu e resfriou suficientemente, prótons e elétrons se combinaram para formar átomos de hidrogênio, liberando os fótons em um evento chamado “recombinação“.Radiação que está em toda parteEsta radiação cósmica de fundo viajou até nós desde então e pode ser detectada em qualquer direção do céu. Middleton destaca que ela é “a impressão digital da criação” e nos fornece informações cruciais sobre como o universo desenvolveu sua estrutura atual. Curiosamente, parte da estática dos antigos televisores analógicos era composta por essa mesma radiação primordial.O fundo cósmico de micro-ondas marca o momento em que “o universo se tornou transparente pela primeira vez”, segundo o astrônomo, criando um marco temporal em que uma grande quantidade de energia foi liberada e agora permeia todo o cosmos.Leia mais:
Lembra da estática dos antigos televisores? A “culpa” de sua existência era, em parte, por essa mesma radiação primordial – Imagem: Bauda Laboratorio Creativ/ShutterstockObjetos individuais mais distantes
Quando se trata de objetos específicos, os recordes pertencem às galáxias primordiais extremamente distantes;
A galáxia JADES-GS-z14-0 detinha o recorde anterior, com luz emitida quando o universo tinha cerca de 300 milhões de anos, representando mais de 13,4 bilhões de anos de viagem;
Em meados de 2025, uma nova descoberta surgiu: a estrela MoM-z14, cuja luz foi emitida aproximadamente 20 milhões de anos antes da JADES-GS-z14-0, colocando-a ainda mais próxima do Big Bang;
Descrita como um “milagre cósmico” pela equipe que a detectou com o telescópio espacial James Webb, sua confirmação aguarda revisão por pares para ser oficializada como o ponto mais longínquo já observado.
A estrela HD 140283, conhecida como “Estrela de Matusalém“, é considerada uma das estrelas mais antigas que pode ser medida de forma confiável. Localizada a cerca de 190 anos-luz de distância, ela faz parte das primeiras gerações de estrelas formadas após o Big Bang. Contudo, do ponto de vista cosmológico, sua luz não é particularmente antiga, tendo sido emitida há apenas 190 anos.Natureza eterna da luzSobre a durabilidade da luz, Middleton explica que os fótons são complexos, mas seguem a primeira lei da termodinâmica: a energia se conserva em qualquer sistema fechado. “A energia não desaparece, só muda de forma“, afirma o astrônomo. “Um fóton é uma forma de energia e essa energia sempre existirá de alguma forma.”Os fótons podem se transformar em matéria e partículas de antimatéria, literalmente convertendo luz em matéria. Eles também podem ser absorvidos por átomos, elevando elétrons para níveis de energia mais altos ou até removendo-os completamente em um processo chamado ionização. Nestes casos, a energia é armazenada temporariamente e pode ser reemitida posteriormente como luz, possivelmente com energia ligeiramente diferente.Continua após a publicidadeSegundo Middleton, se um fóton fosse lançado no universo e nunca interagisse com nada, “seria um fóton para sempre“. A conclusão do astrônomo é clara: “em princípio, a luz dura para sempre“. Mesmo quando interage com outros elementos, ela não é destruída, apenas se transforma em uma forma diferente de energia.
Rodrigo Mozelli
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.
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