Tecnologia óptica atrai US$ 700 milhões para aprimorar data centers de IA
A Lumilens, startup americana de interconexões ópticas para data centers, levantou mais de US$ 700 milhões em uma nova rodada de investimentos avaliada em US$ 5,5 bilhões. A empresa de San Jose, na Califórnia, busca substituir parte das conexões elétricas usadas entre servidores por sistemas baseados em luz. A informação é exclusiva do The Wall Street Journal.Continua após a publicidadeO aporte foi liderado por Atreides Management, Bain Capital Ventures, Meritech, Seligman Ventures e Spark Capital, segundo a companhia. Fundada há dois anos, a empresa já acumulou mais de US$ 900 milhões em captações desde sua criação e começou a enviar seus equipamentos para um grande provedor de nuvem, cujo nome não foi divulgado.A iniciativa ocorre em meio ao aumento da demanda por capacidade computacional para inteligência artificial. Com mais chips avançados concentrados em centros de dados, a transferência rápida de informações entre processadores passou a ser um dos principais desafios da infraestrutura.A corrida pela infraestrutura da inteligência artificial
Data center de IA – Imagem: FOTOGRIN/ShutterstockO crescimento dos sistemas de inteligência artificial aumentou a pressão sobre os data centers, que precisam conectar grandes quantidades de processadores com maior velocidade. Atualmente, muitas dessas ligações utilizam cabos de cobre, uma solução conhecida pelo baixo custo e pela confiabilidade, mas que apresenta limitações quando a quantidade de dados cresce e as distâncias aumentam.A Lumilens faz parte de um grupo de empresas que tenta resolver esse gargalo com tecnologia fotônica. A proposta é substituir sinais elétricos por transmissões feitas com luz, utilizando conexões ópticas capazes de transportar informações por fibras.Outras companhias também exploram esse mercado. A Lightmatter, criada em 2017, já recebeu US$ 850 milhões em investimentos e tinha avaliação de US$ 4,4 bilhões em 2024. A Celestial AI, fundada em 2020, desenvolvia uma abordagem semelhante antes de ser comprada pela Marvell em fevereiro por US$ 3,25 bilhões.Custo ainda é principal barreira
O cobre enfrenta limitações físicas severas que impedem o aumento da banda larga – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)Apesar do potencial técnico, a adoção da tecnologia óptica enfrenta uma dificuldade econômica. O equipamento necessário custa várias vezes mais do que alternativas baseadas em cobre, segundo Ankur Singla, presidente-executivo da Lumilens.
O executivo afirmou que a estratégia da empresa é aproximar os custos dos dois modelos para tornar a substituição mais viável. Além do desenvolvimento dos componentes, a startup também concentra esforços na fabricação dos produtos.Singla também declarou que pretende manter a produção fora da China. A decisão ganhou relevância após uma reportagem da Reuters informar que o governo Trump planejava restringir a entrada de determinados componentes de data centers chineses, incluindo equipamentos ópticos.Produtos miram diferentes conexõesA Lumilens desenvolve duas categorias principais de soluções. Uma delas é voltada para a comunicação entre diferentes racks dentro de um mesmo data center, processo conhecido como “scale out”. A outra busca conectar chips dentro de um único rack, em uma arquitetura chamada “scale up”.O primeiro produto comercial da companhia é um transceptor óptico, dispositivo que transforma sinais elétricos em luz para permitir a transmissão de dados por cabos de fibra óptica. O equipamento já está sendo enviado para um provedor de nuvem de grande porte, que utiliza a tecnologia junto com seus próprios chips de inteligência artificial.Continua após a publicidadeA expectativa da empresa é aproveitar o avanço da inteligência artificial para acelerar uma mudança que a indústria de data centers espera há anos. A tecnologia óptica já era considerada uma alternativa ao cobre, mas seu preço elevado havia limitado sua adoção em larga escala.
Wagner Edwards
Wagner Edwards é Bacharel em Jornalismo e atua como Analista de SEO e de Conteúdo no Olhar Digital. Possui experiência, também, na redação, edição e produção de textos para notícias e reportagens.
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